Cagarra Calonectris diomedea borealis

Cagarra Calonectris diomedea borealis (CORY, 1881)


Descrição

A Cagarra é a maior ave marinha que se reproduz no Arquipélago da Madeira. É uma ave migratória com a parte inferior do corpo e das suas asas compridas brancos, enquanto as partes superiores são castanho escuras / cinzentas. Tem a cabeça acinzentada e o bico amarelado robusto. O voo do cagarra é descontraidamente baixo, junto à superfície do mar onde parece que “ondula” com as ondas.

Distribuição

No arquipélago da Madeira esta ave está presente de Março a Outubro, para a época de reprodução. Passa os restantes meses do ano em alto-mar. As cagarras podem ser vistas em todas as ilhas do arquipélago, sendo as Selvagens as que possuem o maior número de aves por metro quadrado. Na Ilha da Madeira, é comum ouvi-las depois do pôr-do-sol, nas vertentes rochosas junto à costa, em toda a ilha.

Habitat

Na Madeira, esta espécie constrói os seus ninhos, principalmente em falésias, enquanto nas Selvagens os seus ninhos são construídos em buracos na terra ou debaixo de pedras grandes, mas nunca muito longe do mar. O melhor habitat para observação desta ave seja no mar.

Nidificação
A cagarra constrói o seu ninho nos buracos das falésias rochosas junto ao mar ou em buracos no chão. Põe um ovo por ano, entre Maio e Junho. O período de incubação é de 54 dias e a jovem ave deixa o ninho em Outubro.

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Alma negra Bulweria bulwerii

Alma negra Bulweria bulwerii (JARDINE & SELBY, 1828)

Descrição

É um petrel com o corpo todo escuro (preto/cinzento escuro) e esguio, com grande envergadura de asas em relação ao corpo, asas pontiagudas e cauda longa. A cabeça é pequena com um bico pequeno. Não existem dimorfismos sexuais evidentes, apesar do bico e do tarso ser maior no sexo masculino. O voo da Alma-negra é geralmente não muito elevado em relação ao nível da água do mar, especialmente com ventos fortes. Normalmente voa sozinha ou aos pares.

Distribuição

Esta ave marinha é uma espécie característica de águas tropicais e subtropicais, variando entre 10º S e 40º N, no Nordeste do Atlântico, Pacífico e Índico. No Atlântico, nidifica nas Ilhas Canárias, todas as ilhas do arquipélago da Madeira e em algumas ilhas de Cabo Verde e Açores.

Habitat

Alma-negra é uma ave pelágica, que só vem a terra durante a época de reprodução e à noite, com a única função de nidificar e procriar. Em terra prefere ilhas rochosas ou ilhas com pouca ou nenhuma perturbação. Alimenta-se de pequenos peixes à superfície.

Nidificação

Os ninhos são geralmente buracos naturais no solo ou nas rochas, não escavados pela ave. Os casais reprodutores de Alma-negra começam a ser vistos em terra, no arquipélago da Madeira, a meados de Abril, põem o ovo entre o final de Maio e Junho e abandonam o ninho juntamente com os juvenis em Setembro.

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Freira da Madeira Pterodroma madeira

Freira da Madeira Pterodroma madeira MATTHEWS, 1934

A Freira da Madeira Pterodroma madeira é uma ave marinha endémica da Madeira, considerada uma das mais ameaçadas da Europa. Esta ave nidifica apenas na ilha da Madeira, construindo os seus ninhos em zonas extremamente escarpadas no maciço montanhoso central.

A principal razão pela qual se denominou esta espécie de Freira é que, na época de reprodução estas aves, durante as visitas nocturnas aos locais de nidificação, emitem chamamentos que se assemelham a “uivos”, os quais, durante muitos anos, foram interpretados pela população do Curral das Freiras como sendo as almas penadas das freiras que outrora se refugiavam, naquele local, dos ataques piratas à ilha.

Esta espécie foi descrita pela primeira vez para a Madeira pelo padre naturalista alemão Ernst Schmitz, em 1903. Em 1951 Jerry Maul do Museu Municipal do Funchal recolheu um exemplar de Freira, sendo este o último indício da existência da espécie durante os 18 anos seguintes.
Nos anos 60 o ornitólogo Paul Alexander Zino fez várias tentativas para encontrar algum sinal da espécie, mas só no final dessa década é que volta a redescobrir a Freira da Madeira.

Após a observação de vários ovos e juvenis com indícios de predação, em 1987 teve início um programa de conservação da espécie ao nível do controlo dos ratos e gatos (principais predadores da espécie), coordenado pelo Freira Conservation Project com o apoio do Parque Natural da Madeira e do Museu Municipal do Funchal.
Actualmente o Parque Natural da Madeira lidera um projecto de conservação, co-financiado pelo programa LIFE Natureza, que visa a conservação desta espécie através da recuperação do seu habitat de nidificação.

Até há bem pouco tempo a população de Freiras estava estimada em 30 casais reprodutores, no entanto, durante os últimos anos foram encontradas novas áreas de nidificação aumentando assim o efectivo populacional para cerca de 85 casais reprodutores.
A partir do mês de Abril, a Freira inicia visitas às suas áreas de nidificação, situadas nas zonas mais montanhosas da ilha, com o objectivo de começar mais uma época de reprodução.

É nesta altura que, durante a noite é possível presenciar um espectáculo natural e selvagem quando, envoltos pelo silêncio das montanhas, somos surpreendidos pelos seus chamamentos que se assemelham a uivos, assustando os mais desprevenidos.

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